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Crônica
2º Período 1919 - 1940

Em 1919, tendo terminado na Europa seus estudos profissionais, regressam ao Brasil os filhos homens de João Dierberger - João e Reynaldo, sendo desde logo integrados na empresa paterna.

Em 1922, compram mais Oitenta e seis mil metros quadrados de terras, na Rua Iguatemi, no Bairro de Pinheiros, no local onde se situa hoje o Shopping Center Iguatemi. Tem lugar novos e grandes aumentos das plantações, gerando, necessariamente, maior necessidade de capital de giro.

Em 1924, tencionando os dois irmão estender as suas atividades para o nascente campo da fruticultura, adquiriram terras no Município de Limeira, e iniciam alí a cultura da laranjeira e de muitas outras plantas frutíferas. No mesmo ano, em sociedade com os Irmãos Strassburger, compram terras onde é hoje o Centro da Cidade de Valinhos e desenvolvem ali a viticultura. São importadas e testadas dezenas de variedades de uva e também de vários porta-enxertos. Notável, pois, a contribuição de Dierberger para a Citricultura e a Viticultura.

Em 1926, marca o pioneirismo de Dierberger com a Primeira Exportação de Laranjas de Limeira para a Europa. Referida exportação foi feita de sociedade com o saudoso Doutor João Baptista Levy, e, relatando as peripécias do novel empreendimento, orgulham-se os irmãos Dierberger de, profeticamente, encerrarem assim o relatório de profundo significado social:

"... operários e operárias de Limeira, apesar de inexperientes, demonstraram grande habilidade para este novo tipo de serviço, que, quiçá, ainda será de enorme importância para São Paulo e para o Brasil ".

Em 1927, e, pela integração das organizações existentes forma-se a firma Dierberger & Companhia, na qual João Dierberger sé sócio comanditário e os dois irmãos sócios solidários.

Em 1928, em terras adquiridas em Poços de Caldas, organiza a firma a exploração de culturas especializadas do cravo e da rosa para a produção de flor cortada.

No litoral, em Cubatão, reproduzem plantas tropicais e exportam mudas de palmeiras para Buenos Aires.

Em 1929 - 1930, em conseqüência da paralisação dos negócios motivada pela crise mundial - a célebre Sexta-Feira Negra - a firma foi cruelmente afetada, pois a consecução de seu programa de trabalho exigia constantemente todas as disponibilidades e faltava cada vez mais dinheiro. Para sobreviver, impuseram-se radicais medidas de concentração e de economia. Suspendeu-se a seção florística e a de produção de flores para corte. Liberando-se pessoal, instalações e capitais, ficou reduzida a firma, que somente assim pode sobreviver.

Em 1931, aos trinta e um dias do mês de dezembro, falecia João Dierberger. O triste acontecimento gerou, como se pode imaginar novos e grandes problemas, inclusive os de ordem sucessória.

Em 1938, em substituição à "seção exportação", da Dierberger & Companhia, é organizada a firma Dierberger Exportadora Ltda., inaugurando-se, nesse ano, seu "Paking-House" em Limeira.

Este Segundo período da Firma é caracterizado pela extensão geral das diversas organizações dependentes e especializadas. Assim, no Campo Agrícola, os seguintes fatos merecem relevo:

Introdução, aclimatação e propagação de mudas de novas classes e variedades de abacateiros, o que permitiu, através da enxertia, a produção dessa valiosa fruta durante o ano todo.

Importação, durante os anos de 1929-1932, de muitas variedades comerciais da Nogueira Pecan, sendo que as melhores passaram a ser reproduzidas por enxertia.

Destaca-se, entre elas, a variedade "Mahan" que hoje é a mais plantada.

Introdução de numerosas variedades de plantas cítricas, tais como diversas tangerinas, a laranja Valência, a Washington Navel (Bahianinha), a Hamlin, diversos Grap-Fruits .

Além da Manga Haden e de muitas outras introduzidas para experimentação, o pêssego, a ameixa, a maçã, o caqui e outras depois de testadas foram entregues às Estações Experimentais e aos pomareiros e amadores de todo o Brasil. Constituindo-se, assim, precioso material genético que vem servindo para melhoramentos da fruticultura, como é o caso do pêssego Jewel, que permitiu o aparecimento de pêssego Talismã e de outras notáveis criações do Instituto Agronômico de Campinas.

A ameixa Kelsey Paulista, notável variedade por nós descoberta e lançada nos idos de 1950, representa valiosa seleção e é hoje intensamente plantada.

Em 1930-1931, por importação de sementes da "Alachua Tung Oil Corporation", a firma introduziu a Nogueira Tung, melhorando-a pela seleção de tipos altamente produtivos, cuidando de sua fixação pela enxertia. A eclosão da guerra, infelizmente, interrompeu a execução de vasta plantação programada para ser desenvolvida por entidade estrangeira.

Como que destinada a assinalar gloriosamente a passagem do 80º aniversário das Organizações Dierberger, a Dierberger Agrícola S.A., entre 1972 - 1973 cuidou da introdução e da seleção de novas plantas que poderão vir a ter extraordinário significado econômico, uma vez terminado o período experimental a saber :

27 novas variedades de Nogueira Pecan

Mais de 10 variedades de Nogueira da Austrália - a Macadâmia Actinídia chinensis - a Groselha da China

Bromeliáceas e outras plantas ornamentais

Eram os principais colaboradores do campo agrícola, durante este período:

Wenceslau Strassburger, Albert Oswald, Henrique Jacobs, Paulo Leistner, Ângelo Fracaroli, Walter Lorenz, Georg Pirsch, Paulo Dorfmund e Luiz Marino Neto.

A exportação da laranja, iniciada em 1925, havia tomado franco desenvolvimento e os nomes das nossas marcas "Tropic Sun", "Tropic Palm" e "Exquisit" haviam conquistado a confiança dos importadores europeus.

Com a inauguração do moderno "Packing House" próprio em Limeira, o caminho estava aberto para um esplendido futuro.

Em 1939, quando terminada a safra de laranjas em Limeira, iniciava-se no Rio de Janeiro a exportação das laranjas "Pêra do Rio".

A eclosão da Segunda Guerra Mundial "matou" a indústria e gerou desesperanças. A empresa encerou suas atividades e posteriormente foi liquidada.

Salientamos como sendo os principais elementos desta atividade:

João Senra, João Kachler Filho, João Fischer, Luiz Marino Neto, Alberto Koehler e Henrique Mantel.

Sob competente direção, a "Seção Paisagismo", da Dierberger & Companhia levou a efeito notáveis trabalhos nesta arte. Dentre os inúmeros jardins e parques, tanto de particulares como de prefeituras municipais, mencionamos apenas : Jardins do Palácio Guanabara - Rio de Janeiro, parques e jardins da família Guinle - Terezópolis, Jardim do Ipiranga - São Paulo, termas de Poços de Caldas e termas de Araxá, entre outros.

Eram os principais responsáveis por esta seção: Reynaldo Dierberger, Gustavo Bausch, Rodolpho e Joaquim Boehm e Walter Bartsch.

A seção comercial da Dierberger & Companhia conceituava-se cada vez mais entre os consumidores e plantadores de sementes de todas as espécies, tanto nacionais como as importadas. O comércio de bons artigos, constituídos de fungicidas, inseticidas e outros para a lavoura, acompanhou durante este período o progresso geral. Foi seu principal dirigente durante nada menos de 50 anos o saudoso Theodoro Lourencini, e continuam hoje Carlos Alfredo Roderburg, Ronald Riether e Paulo Kassahara.