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Revista Natureza

Christian DierbergerUma formidável floresta de helicônias é o maior orgulho de Christian Dierberger, herdeiro e administrador da Fazenda Citra, em Limeira, SP. Quarta geração de uma família completamente dedicada às plantas, ele perpetua a tradição, investigando, descobrindo espécies novas e, principalmente, reproduzindo e espalhando-as pelo Brasil. Christian é apaixonado pela flora tropical e além das 150 espécies de helicônias, cultiva também cerca de 300 espécies de hibiscos. São coleções respeitáveis, das maiores existentes no país. Mesmo assim, não passam de uma minúscula amostra do patrimônio botânico da fazenda.

 

 

 

Estufas centenáriasJá são cem anos de coletas de plantas desde que o alemão Johan (que depois virou João), bisavô de Christian, desembarcou no porto de Santos trazendo na bagagem, como bem mais valioso, as mãos abençoadas de jardineiro. Com uma alma empreendedora, não tardou para conseguir algumas terras para o cultivo de hortaliças, até que em 1924, junto com os dois filhos, comprou a fazenda de Limeira para dedicar-se também à fruticultura comercial. As plantas não pararam mais de chegar à propriedade, via intercâmbio com colecionadores e botânicos do mundo todo, numa prática que acontece até hoje. "Atualmente isso ficou muito mais fácil com a Internet", diz Christian.

 

 

 

ImageO resultado é que em cada canto da propriedade de 70 alqueires há uma flor esquisita, uma fruta exótica ou uma árvore rara, todas devidamente identificadas e catalogadas. Uma explosão de cores, formas e sabores que nada deixa a desejar a um jardim botânico. Na linguagem dos biólogos, A Fazenda Citra tem um inestimável banco genético, guardando exemplares de espécies raras e ameaçadas de extinção.

 

 

 

Mudas para o Brasil
Os produtores de plantas ornamentais e frutíferas consideram a fazenda uma excelente fonte de matrizes. Sementes e estacas dos melhores exemplares são usados para fazer mudas que se espalham pelo país. Com uma sólida história de introdução e seleção de plantas, Dierberger tornou-se uma referência nacional por ter matrizes muito valorizadas.

No campo da fruticultura, foram eles que introduziram no Brasil, entre outras, a manga-haden, a tangerina-ponkan, a laranja-valência, o kiwi e a macadâmia, uma noz muito apreciada que está se tornando popular no Brasil.

ImagePara se ter uma idéia da importância desse patrimônio, ano passado, quando a duplicação da Rodovia dos Bandeirantes destruiu um pedaço da fazenda, cortando dezenas de espécimes raros e históricos, não faltaram manifestações. Na época, a Associação de Produtores de Macadâmia do Estado de São Paulo, fez um apelo dizendo que as matrizes que iriam ser cortadas eram importantíssimas para abastecer a demanda brasileira de mudas de noz-macadâmia.

 

 

 

Não teve jeito. Macadâmias e outras tantas árvores foram engolidas pela estrada. "Se passasse poucos metros adiante, a estrada só teria atingido canaviais", lamenta Christian Dierberger, que perdeu um pouco do sossego por causa do barulho das máquinas da obra. Mesmo com o progresso chegando a pleno vapor, a Fazenda Citra resiste bravamente, firme na missão de espalhar plantas pelo país. Um exemplo raro de herança familiar que não só se mantém viva, mas produz cada vez mais frutos. Ao pé da letra.

 

 

 

ImageRiqueza em livros
Além de muitos pássaros, as flores e frutas da Fazenda Citra atraem fotógrafos e pesquisadores, que vêm em busca das espécies raras plantadas no local. Harri Lorenzi, autor de "Árvores Brasileiras" e "Palmeiras no Brasil", entre outros, costuma visitar a fazenda procurando alguma novidade. Muitas das fotos de seus livros foram feitas lá. "Trata-se de um dos grande centros de disseminação de plantas do país", avalia.

Outro que tem grande carinho pela propriedade dos Dierberger é Silvestre Silva, fotógrafo do livro "Frutas no Brasil", que entre outras frutíferas raras, encontrou um guabiju (Myrcianthes pungens) e uma espécie de araçá (Psidium humile). "A Fazenda Citra é meu cenário predileto", diz.

Christian Dalgas Frisch, que escreveu e fotografou, com o pai Dalgas, "Jardim Dos Beija-flores", passou dois anos visitando semanalmente a fazenda para realizar as pesquisas que resultaram no livro. "Descobri plantas que nem imaginava que atraíam beija-flores", conta.